Filosofia de trabalho

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Caros amigos!

 

Enfim venho responder, pois tive problemas e não pude fazê-lo antes. Percebi que vocês são pessoas que gostam de filosofia, cultura e como tal, nada melhor que um confronto de idéias pra aguçar a sensibilidade. Gostei da postura de virem falar conosco respeitosamente, de ter ido ao meu Orkut particular e não ter apenas rechaçado publicamente a intervenção. Sempre pensei ser a dicotomia direita/esquerda grande expoente na discussão ideológica humana pelo fato da contemporaneidade do binômio. Vivemos num mundo capitalizado, mercantilizado. Vocês pelo que me parece conhecem sobre a Indústria Cultural de Horkheimer e Adorno e sobre a famosa Sociedade do Espetáculo. Concordo em gênero, número e grau sobre esses questionamentos num mundo de pessoas distanciadas da realidade. Agradeço-te por colocar nossa iniciativa de mobilização numa discussão tão profunda (não sei nem se merecemos tanto). Acho por exemplo que a escravidão não acabou, vejo uma mudança de foco; não temos mais um capataz e um chicote, temos a doce ilusão de que a exploração de nossa mão-de-obra giraria a engrenagem do sucesso e nos tornaria auto-suficientes, talvez um dia até detentores dos meios de produção. Temos hoje o despertador que toca e ninguém exige que trabalhemos nem cobra-nos postura de afinco, mas no inconsciente coletivo o way of life que seguimos nos dita as regras que nos jogam para dentro desta grande involução da liberdade – seria melhor uma liberdade total com menos segurança ou talvez a mão estatal tocando as trombetas da ordem e encaminhando a vida de cada um? Acho todas as questões pertinentes, pois a partir do momento em que ‘assinamos’ o contrato social e saímos do nosso Estado de Natureza, saímos também da guerra de todos contra todos; porém entramos na burocracia e disputa de força. Digo até ser contraditório o fim desta guerra, mas Hobbes não está mais vivo para conversarmos sobre tais questões. Gostaria de te falar que na minha opinião a TV está enraizada na esfera de propagador de cultura. Digo que serve como a droga, quanto mais se usa, mais se vicia… Espero um dia poder ligar a televisão (coisa difícil porque quase nunca assisto) e assistir a uma programação anti-massificação. Vejo hoje pessoas alienadas, acomodadas e acho incrível pelo fato de termos uma gama imensa de problemas e parece ser este número inversamente proporcional à tentativa de resolução ou no mínimo debate. O âmago da questão que nos cabe é quanto à validade da iniciativa. Independente de quem ou como está sendo feita, acho que o simples fato de SER feita já se auto-valida em princípios. Veja só quantos alienados e acomodados temos e quantos nem entendem o que discutimos. Penso ser mais profundo discutirmos o quanto podemos libertar o mundo em que vivemos dos tapa-olhos e posteriormente as mordaças para abrir as idéias dos jovens. Precisamos mover as máquinas, não tentar impedir as que estão saindo da inércia de se moverem. Vocês devem saber o quanto Goebbels e o marqueteiro do Lula, por exemplo, trabalharam. Esta arma poderosa serve para fins bons também. Acho que generalidades não condizem com o senso crítico e por isso tento expor o meu primeiro degrau de luta contra a massificação. Hoje, não temos força de desestruturar uma máquina administrativa em prol da alienação – nossa política do pão e circo com as novelas e futebol preenche as necessidades gerais da massa. Penso serem diferentes sementes, plantadas em diferentes terrenos, que no futuro possam dar bons frutos. Plantemos hoje e colhamos amanhã a esperança de preparar o terreno e assentar as bases desta tão sonhada mudança de paradigma. Obrigado mais uma vez pelo questionamento e já que vocês também são engajados nas questões sociais, porque não vêem pra cá e participam conosco? Dispam-se do preconceito e experimentem este novo tipo de empreitada, assim até talvez tenha mais argumentos pra lutar com maior destreza contra a midialização. Pensem a respeito e discutamos. Se cuidem por aí, grande abraço!

 

 

Nossa convocação!


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11 Respostas para “Filosofia de trabalho”

  1. resfglobal Disse:

    Apenas um adendo. Esta mensagem serve para mostrar a validade e abrir a discussão sobre a mobilização, sem sensacionalismos, ok?

  2. Rafael Disse:

    pois é, falou pra caramba e não falou nada… você se diz contra a “midialização” e “massificação”, mas está ai, trabalhando de graça (eu acho) numa ideia imposta por um canal de TV, porque ao invés de fazer um Flash mob para a TV, vocês não começam a participar de uma comunidade sobre Flash Mobs ?

  3. eduardo Disse:

    meu querido,que diferença faz se o flash mob vai ser televisionado ou nao?? pelo que eu vi ate agora do programa,nao há qlq interferencia na gestao da mobilização,a nao ser a msm que eu e vc estamos sujeitos quando assistimos televisão ou usamos internet.

    Presente!

  4. Diego Disse:

    Quem escreveu esse texto, foi o Bruno???

    Acho que ninguém aqui vai querer dizer o que os outros tem que fazer, o que é melhor, mais ético, etc. aliás, a ética é aquilo que permite a cada pessoas tomar suas decisoes, fazer suas escolhas de acordo com o que pensa. Agora, dizer que o multishow vai melhorar o que quer que seja? flashmobs nao sao necessariamente algo revolucionário, mas o que há de mais interessante, a meu ver, nessa prática, se perde quando é usado como entretenimento televisivo. Flashmob é rua, é atuo-gestao, choque, algo que tem uma raridade e nao um show de tv. nao tem nada a ver, penso eu, com esquerda ou direita.
    Veja, os colegas que foram se manifestar no primeiro MidiaMob na estaçao da luz foram devidamente “informados” de que haviam seguranças de prontidão caso “houvesse manifestacoes de violencia”.
    E a entrevista da sra. Didi dizendo que “pessoas normais nao fazem performances artísticas e é isso que eu quero fazer” no globo de domingo. Nao pode ser apenas ignorancia, é má-fé, privatizaçao de ideias, mercantilizaçao de pra’ticas coletivas.
    O problema todo é que muitas pessoas enterram seu pensamento crítico se for para ficar famoso, nem que seja por alguns dias, ou minutos.

  5. Bruno ( MOB Flah ) Disse:

    Diego, eu não tenho pretenção nenhuma de ficar famoso porem participei do segundo flash mob do programa, por ter gostado da idéia e por eles terem aberto para mim um puta canal no qual eu pude expor minhas idéias, falar o que quizesse e criar algo interessante sem nenhuma interferenica deles.

    Hoje em dia tem muita gente que participa de flashmobs, mesmo que não sejam televisionados, somente para se sentirem alternativos ou se divertir apenas. Devemos então acabar com os flash mobs? Infelizmente estes problemas acompanham a nosa geração, porem devemos aproveitar novas oportunidades para expandir o pensamento critico ao máximo nas pessoas. Não nos restringirmos no nosso meio descolado. Quem me parece que esta buscando um status aqui, seja qual for, é você.

  6. resfglobal Disse:

    Sim Diego, fui eu sim. O Bruno deste mob e do orkut. E por falar em Brunos, agradecemos Bruno da edição anterior pela opinião e parabenizo vocês porque ficou muito legal. Valeu por mostrar o espírito que nos move e concordo que esse canal que foi aberto é uma oportunidade ímpar para quem está objetivando alguma mudança. Espero a participação do pessoal todo que ja havia comparecido nos anteriores. A proxima postagem explicaremos tudo da ação e localização, horário e afins.

  7. resfglobal Disse:

    Aqui vai a resposta Rafael. Falei tudo que achei pertinente para evidenciar a nossa motivação. Já participo de comunidades e não estou sendo usado. Foi uma opção minha, por livre e espontânea vontade. Se ganho ou não, isso acho que não interessa a ninguém mas para “alívio” geral eu não ganho financeiramente, ganho apenas um canal, um meio e um grande incentivo para continuar lutando por pensamentos pautados previamente ao programa.

  8. Bruno ( MOB Flah ) Disse:

    Valew Bruno… esse é o espirito mesmo.
    Tenho certeza que quem esta criticando esta iniciativa é por acreditar que quem esta organizando as ações são um bando de playboyzinhos alienados que só querem aparecer. Enquanto o Multishow selecionar participantes engajados e conscientes nossos argumentos valerão.
    Eu acho que esta é a proposta do programa e acredito que assim será, caso contrario terei de concordar com os que hoje criticam.
    Bom, fica ai um alerta aos produtores do progama e um repúdio aos preconceituosos de plantão.

  9. Diego Disse:

    boa sorte!

  10. maklein Disse:

    Só para lembrar que de flash mobs assim
    http://outedblog.wordpress.com/2009/04/16/flash-nopants/
    ninguém fala mal!

  11. roberta Disse:

    ahhhhh eu queria ver o vídeo mas tá privado… como eu faço pra assistir???

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